RIO2LISTEN

Unindo a tradição dos redutos boêmios da cidade com as batidas pulsantes da cena contemporânea internacional, o Rio2Listen é o braço musical do Rio2Love, e produz trilhas exclusivas que expressam o verdadeiro estado de espírito carioca.

Para explicar um pouco mais, ninguém melhor que o músico, produtor musical e nosso diretor executivo: Alexandre Camara.

LANÇAMENTO: 01/SET

ENTREVISTA:
ALEXANDRE CAMARA
[ RIO2LISTEN ]

[ R2L ] Qual a sua história com a música?
Minha história com a música começou com meus pais. Aos 4 anos eu ouvia Rick Wakeman (tecladista do Yes) e George Mustaki (compositor francês)…(risos). Depois fui ouvindo muitas coisas diferentes e pedindo LPs de aniversário (e de Dia das Crianças) como Queen (Play The Game), Xanadú, Flash Gordon, Viagem ao Centro da Terra, entre outros. Meus pais, vendo meu interese pela música, me inscreveram em um aula de iniciação musical e, mais tarde (já com 8 anos) em uma aula de piano. Aos 13, tive minha primeira “banda”. Até os vinte e poucos, tive “outras 1.000”…(risos). Uma delas, a Idade Mídia, chegou a assinar contrato artístico com a Polygram, e tivemos um clipe da música “Será que Isso é Amor?” tocando nas top 10 da MTV. Foi uma fase muito legal. Depois disso, acabei indo parar na gravadora EMI Music. Primeiro como estagiário e depois como advogado – sim me formei em Direito e me especializei em Direitos Autorais – e passei a entender como o mercado fonográfico funcionava no Brasil. Vivi de perto a loucura “pré e pós-MP3”. Em 2004, depois de um MBA na FGV, e por conta de um trabalho de Direito Autoral para um filme, fundei a Kaban Entertainment onde fazíamos trilhas para filmes e televisão. Trabalhamos com músicos, sonoplastas e briefings de todos os tipos, inclusive para programas da TV Globo, como o Caldeirão do Huck e Videogame. Em 2009, me casei e fui fazer um curso no Canadá, em Toronto, na The Audio Recording Academy. Lá aprendi bastante sobre engenharia de som – gravação, mixagem, ADR, Foley, produção musical – e também sobre o mercado norte-americano. Abri uma outra empresa por lá chamada Audiogize Productions, onde passei a produzir Royalty Free Background Music (trilha branca que se paga uma vez só pela utilização). Acabei ficando por lá até o final de 2015, quando voltei pro Brasil.

[ R2L ] Quais as diferenças entre montar um negócio no Canadá e no Brasil?
Para você ter uma idéia, eu abri a Kaban em 1 mês e meio no Brasil e o encerramento durou 3 anos… Já no Canadá, abri a Audiogize em 1 dia pela Internet (pagando CAD$80.00) e posso encerrar a qualquer momento sem pagar nada! Claro que hoje em dia com as MEIs (Micro Empresas Individuais) isso está mudando mas acredito que a burocracia ainda predomine para muitos empreendedores. No Canadá é bem diferente. Lá você é estimulado a empreender tendo diversos benefícios fiscais. O Governo joga a favor! (risos) A seriedade e o comprometimento são outros. Até meio “caxias” demais às vezes. Mas acredito que seja melhor pecarmos mais pelo excesso de zelo do que pela omissão. É com esse modelo que imagino o Brasil no futuro.

[ R2L ] Como o estrangeiro percebe a música brasileira atual?
Sinceramente…bem sinceramente? Acho que lá fora eles valorizam mais a nossa música que nós mesmos. Pode ser um clichê falar isso, mas é verdade. Principalmente no Japão e em muitos países da Europa. Na América do Norte, talvez mais em New York. No Canadá, tive a impressão que não é muito o estilo deles, mas gostam do rítmo e dos instrumentos diferentes que fazem parte da nossa cultura. Berimbau, por exemplo… Numa das das sessões de “show and tell”, por exemplo, fui muito engraçado explicar o que era Cuíca e o seu funcionamento… Ninguém conseguiu entender!! (risos). Mas o público de lá conhece alguns artistas brasileiros, é claro. Existia um festival na Dundas Squares (equivalente ao Times Square de NY), o Brazilian Day, que levava alguns artistas brasileiros para fazer show. Ficava sempre lotado e não só de brasileiros. Toronto é multicultural, então tinha gente de todo mundo se divertindo com nossos talentos musicais (e comidinhas brasileiras das barracas em volta). E não há como negar que vários artistas internacionais já beberam muito da nossa fonte musical; seja no Funk Carioca (Diplo), Bossa Nova (Quincy Jones), Samba (Pat Matheny) e até no Pop (Black Eyed Peas). Fora as inúmeras parcerias musicais. Acho que no cenário atual, o “batuque de escola de samba” está bem em alta em Toronto. Existem até escolas e grupos grandes como a Batucada Carioca, a TSS – Toronto Samba Squad e a Samba Elégua. Tem uma reportagem muito legal no link: http://umanota.ca/samba-in-toronto-encontro-de-baterias/ pra quem quiser saber mais.

[ R2L ] De volta ao Rio, como você define o seu momento?
Eu acredito no Rio e no Brasil! E vou acreditar sempre! É um prazer fazer parte desse movimento de “resgate” do nosso orgulho, da nossa cultura, do nosso amor ao Rio através do Rio2Listen. Estou de volta pelas 1.001 possibilidades que estão aparecendo mesmo nesse momento de crise. É difícil “definir”, porque toda definição nos limita. Assim, prefiro dizer que o momento pode ser muito promissor para começarmos do zero. Vamos apresentar artistas brasileiros que o mundo jamais viu.

[ R2L ] Como você interpreta o cenário atual da música no Brasil?
O cenário atual da música no Brasil é meio camaleônico. Está sempre em constante mutação. Hoje podemos ter mais funk do que ontem. Amanhã, mais sertanejo universitário do que teremos depois de amanhã… Enfim, há estilos para todos os gostos. Porém, é claro que uns estilos têm mais apelo que outros no quesito gosto popular. Eu estive numa festa junina esses dias em que só tocou funk carioca! Como background para as danças com os “caipiras” presentes! Vai entender…(risos) Agora, o que falta também é lugar para apresentações. Talento temos de sobra, mas onde podemos vê-los e ouví-los? Deveríamos pensar num movimento que estimulasse as pessoas a quererem ouvir sons novos, sair do mainstream de massa que rola na Internet e na TV. Precisamos nos reinventar! Podemos gostar de várias coisas que quase ninguém conhece, por exemplo. Vamos apresentar nossas descobertas para os amigos e para o mundo!

[ R2L ] Quais as oportunidades no setor para os próximos anos?
O mais incrível hoje em dia não só a quantidade de opções de distribuição de música à disposição (Spotify, Apple Music, Deezer, Youtube, etc) mas também as opções de ferramentas para a criação de música e sons. Todas essas ferramentas estão cada vez mais “mobile” e interessantes. Comprei um breguetinho no ano passado de uma start up inglesa que é simplesmente sensacional: o Mogees. Você põe o aparelhinho (que acredito ser um ‘prezo microphone’ com vários sensores) e de repente a superfície com a qual ele está em contato se torna “tocável”! E o som varia de acordo com a maneira com a qual você toca a superfície, gerando sons diferentes baseados nos gestos do toque. Dêem uma olhada em: http://mogees.co.uk. Coisa de louco!

[ R2L ] Como o Rio2Listen pode aproveitar essas oportunidades?
No Rio2Listen podemos ir do “talento não descoberto” até levar a obra dele ou dela para todas as casas do mundo. Não interessa se o/a artista  é um/uma virtuose no Mogees ou na caixinha de fósforo. Existe talento, tá dentro! Sem preconceitos! E a idéia é exatamente essa. Além, é claro, de levar ideias e referências musicais prontas para que músicos, compositores e curiosos possam criar obras com um empurrãozinho nosso e dos que quiserem disponibilizar seus “takes” no site. Com a colaboração de todos, tudo fica mais interessante. Vamos misturar DNAs musicais e ser felizes!

[ R2L ] Open mic:
Vamos ousar! Vamos criar e fazer o Rio, o Brasil e o (por que não) o mundo soarem melhor? Se cada um de nós fizer um pouquinho, seremos mais fortes!

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