ENTREVISTA:
NINA CHINI GANI
[ RIO STREET ART TOUR ]

Nina na Lagoa, onde apresenta as obras de Eduardo Denne e Nitcho
[ R2L ] O que é o Rio Street Art?

Bom, a idéia surgiu quando percebi que existiam tours de graffiti em várias cidades pelo mundo, e cheguei no Rio, olhei em volta, toda aquela arte, que muitos não sabiam de quem era, comecei a conversar com alguns graffiteiros, e com o apoio e incentivo deles, resolvi montar um roteiro. O Rio Street Art Tour hoje é uma oportunidade para turistas e locais conhecerem o Rio através da arte urbana, entrar em contato com os artistas através dos nossos workshops, e até comprar arte pelo site Rio Art Gallery.

[ R2L ] Como funciona o serviço? 

A excursão começa na estação de metrô Siqueira Campos, às 10h. Há uma caminhada de 20 minutos para ver um túnel que foi pintado em 2015. De lá, pegamos uma van ou carro até Santa Teresa, para uma parada em um mural próximo a uma favela. Depois disso, passamos por uma comunidade diferente, onde mais de 15 casas foram pintadas como parte de um projeto de reforma. Em seguida, paramos em um posto de gasolina para tomar água, café e/ou usar o banheiro. Continuamos até uma escola que foi parte de um projeto de arte, promovendo a interação dos artistas grafiteiros e as crianças da escola pública. A última parada costuma ser em uma microcervejaria / galeria no Leblon. Mas as excursões têm um itinerário flexível, pois a arte de rua está sempre mudando. O itinerário é adaptado para apresentar os mais recentes projetos da cidade.

[ R2L ] O que mais chama a atenção das pessoas durante o tour?

Muitas pessoas se surpreendem com a quantidade de graffiti na cidade. Gosto sempre de ressaltar que no Rio temos uma cena muito única, onde muitos artistas gostam de pintar juntos, fazer projetos colaborativos, o que não é comum no resto do mundo.

[ R2L ] Quando se ouve falar de arte urbana, o grafitti vem imediatamente à mente. Que outras formas de arte urbana se destacam no Rio?

Aqui vemos não só graffiti e muralismo, como técnicas de azulejaria e lambe-lambes que são usados para mudar paredes, fachadas e nos fazer refletir, rir ou criticar. Os artistas cariocas estão sempre inovando não só na linguagem, mas também nas técnicas.

Durante um tour, apresentando o trabalho de Marcelo Ment
[ R2L ] Esse tipo de arte sempre gerou preconceito no Brasil. Isso também acontece em outras capitais no exterior?

Ultimamente o graffiti tem se tornado mais bem aceito no Rio, e no mundo, especialmente depois de ter sido legalizado aqui, e de marcas grandes, como a Nike, usarem essa linguagem na estética da marca. Em outras cidades grandes, a palavra graffiti na verdade é mais relacionada a pichação, e o que nós chamamos de graffiti aqui, lá está sendo chamado de muralismo. O muralismo é, muitas vezes, comissionado, mas existem projetos, como o Wynwood Festival em Miami que promove intervenções urbanas em um espaço gigante, onde os artistas chegam e pintam o que quiserem.

[ R2L ] Qual o local (país / cidade) que tem a legislação “modelo” para servir de referência para o Rio?

Acho que o Rio foi pioneiro na questão de legalização, mas atualmente várias cidades pelo mundo desenvolveram leis quanto ao graffiti, ou arte urbana, normalmente definindo áreas (paredes, armazens, edifícios) onde artistas podem pintar sem ser incomodados pela polícia. Mas não saberia escolher uma legislação “modelo” de referência, primeiro por não conhecer todas, e também, como a aceitação do graffiti como arte, é uma coisa relativamente nova, acho que ainda teremos muitas mudanças por ai.

[ R2L ] Como o Rio se posiciona hoje em dia no cenário mundial de arte urbana?

O Rio está evoluindo bastante nesse cenário, por ser legal, ter vários artistas talentoso como o ACME, Bruno Big, Carlos Bobi, Eco, Ment, Memi, Piá, PNG, Smael, e muitos outros, mas ainda temos muito o que aprender e crescer. Pra mim, a maior questão ainda é a violência policial que não entende o que pode e o que não pode. A legalização é ainda muito nova e gera confusão. Mas vemos cada vez mais surgirem eventos de arte urbana como o Art Rua, da galera do Instituto Rua, e o Arte Core da HomeGrown, e outros que irão surgir ai em breve.. Fiquem ligados!

[ Bio ]

Nina Chini Gani é nascida e criada no Rio de Janeiro. Formada em Design Gráfico, sempre teve arte na mente. Enquanto estudava, conheceu alguns grafiteiros locais que a inspiraram ainda mais. Atualmente, ela é proprietária do Rio Street Art Tour, produtora do Rio Art Gallery, e agitadora cultural.

[ Contato ]

www.riostreetarttour.com / riostreetarttour@gmail.com

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