HISTÓRIA DA ARTE:
Romantismo
[ JOCELYNE HARARI ]

O sentimento é tudo!
Goethe

Para entender e apreciar a História da Arte, é necessário sempre relacioná-la ao contexto político, social, econômico e geográfico, inerentes à sua época. Desta forma, fica muito mais claro e fácil de decifrar e interpretar qualquer movimento artístico sem correr o risco de misturar todos os ” ismos ” !

O Romantismo foi um movimento artístico, político e filosófico que floresceu na Europa ao final do século XVIII, início do século XIX, estendendo-se por um grande período do século XIX. No Brasil surgiu entre os anos de c.1830 e1880.

O Romantismo brasileiro difere do europeu em alguns aspectos, porém tanto na Europa como no Brasil, as suas manifestações foram tão diversificadas, que fica impossível obter uma definição concreta; apesar de tudo, sabemos que a questão primordial foi uma convicção baseada na valorização do ser humano, através da descoberta de sua própria identidade, intuição, individualidade e consequentemente, seus sentimentos.

É importante enfatizar que o Romantismo foi um movimento artístico e cultural contrário ao Classicismo, este, reconhecido por ideais estéticos mais importantes que a própria expressão individual. O homem clássico foi impulsionado pelo Iluminismo, caracterizado pelas novas conquistas da ciência, e pela renuncia à todas as doutrinas políticas e religiosas.

Mas como diferenciá-los, afinal, se tanto o Classicismo como o Romantismo abordavam a nobreza de caráter, virtude, grandeza e superioridade do homem?

O Homem clássico é objetivo, disciplinado, sereno, racional e lúcido.
O Homem romântico é melancólico, insatisfeito, intuitivo, irracional e místico.
Até mesmo um leigo conseguirá fazê-lo!

Porque o Romantismo foi diferente na Europa e no Brasil?

Em 1789 a Revolução Francesa originou um sentimento de esperança, liberdade e igualdade na Europa, mas infelizmente o sonho não se concretizou. A frustração fez com que escritores, intelectuais e artistas se sentissem abandonados e desprotegidos com o fracasso e a volta do totalitarismo. O novo governo reabilitou a Igreja e a nobreza, reprimindo os ideais e sonhos da maioria dos franceses. A eles, só restou desencanto e desesperança com sua pátria e seus heróis.

Aqui no Brasil, entre os anos de 1831 e 1840, no período da Regência, os brasileiros encontraram-se politicamente quase na mesma situação que na Europa revolucionária. O povo estava entregue ao seu próprio destino. Por um lado, o Partido Conservador da monarquia, ampliando o poder de Dom Pedro II, então com 15 anos de idade, por outro, o Partido Liberal que ansiava pela República.

Além do Brasil, o Romantismo difundiu-se em vários outros países como na Alemanha,  França, Países Baixos, Bélgica, Rússia, Itália, Espanha, Inglaterra, Polônia, Hungria, Escandinávia e América do Norte.

Aqui, como ocorreu com o Barroco e o Neoclassicismo, o Romantismo também surgiu tardiamente.

A ordem agora é : Abaixo a razão!

O Romantismo descarta padrões rígidos, equilíbrio e razão, o que rege sua arte agora é o sentimento e a visão subjetiva do artista.

Começa uma revolução artística. A nova escola espelha os devaneios e paixões de cada um, buscando sua  individualidade.

O artista é um gênio em originalidade e extravagância, tem como personagem um herói infeliz e vítima de grandes paixões, é egocêntrico, atormentado e místico.

Os seus valores mais importantes são: a intuição, emoção, ocultismo e imaginação.

O teor das obras é subjetivo, inconformista e passional.

Surge enorme interesse em lendas medievais, histórias de horror góticas com elementos macabros. Com total liberdade de expressão, o artista coloca todas suas fantasias nas obras através de delírios pictóricos como erotismo, melancolia, fúria e devaneios.

Todo o clima na obra é nebuloso irracional e transitório: capta o exato momento da ação.

Os temas são variados, podem caminhar entre o heroico, a paixão, o folclore, ou até mesmo a natureza selvagem. A inspiração vem da Era Medieval e do Barroco, bem como o orientalismo, muito em voga na época.

O colorido geralmente é intenso e as diagonais reforçam a dinâmica da obra com pinceladas vigorosas.

O sentimento foi tão profundo e intenso que provocou  uma onda de suicídios .

O Romantismo brasileiro encontra o seu caminho.

Não exaltou castelos e lendas medievais, mas sim as adversidades da natureza selvagem, mares revoltos, trovoadas, nascer e o pôr do sol, batalhas  sangrentas e conquistas, o homem simples da roça,  a religião cristã como confortadora do ser humano.

O sentimentalismo mitológico europeu foi majestosamente convertido em obras patrióticas nacionalistas com cenas de batalhas, exuberância natural como clima, a diversidade, o carisma e a simplicidade do homem caipira.

Outros movimentos relacionados ao Romantismo

Na Inglaterra, jovens artistas criam em 1848 o grupo intitulado Irmandade Pré- Rafaelita, que procura recriar a natureza e a simplicidade da arte primitiva italiana. Com caráter de irmandade secreta, o lema era ter idéias genuínas e sinceras, sem ostentação para criar obras inspiradas na natureza, na religiosidade e na caridade. O grupo se dissolveu em 1853.

Por outro lado, em 1809, um grupo de pintores alemães formam o movimento denominado de Nazarenos, formado por seis estudantes da Academia de Viena. Acreditavam que a arte deveria servir à religião e a moralidade retornando ao espírito medieval. O movimento durou cerca de 10 anos.

Jocelyne Harari é graduada em Comunicação Visual e Pós-Graduada em História da Arte, ambos pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP).
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