ENTREVISTA:
CELLO CAMOLESE
[ EMPREENDEDOR SERIAL ]

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[ R2L ] Você nasceu em São Paulo e construiu uma bela história de empreendedorismo no Rio. Quais as cenas marcantes desse roteiro até aqui?
No final dos anos 80, logo após voltar de uma temporada de 2 anos em Londres, passei a a trabalhar com música, cinema e som pra cinema. Ser artista e criador era um objetivo. Com a crise dos anos Collor, a realidade bateu à porta e o mercado minguou. Alí surgiu a ideia de abrir um bar, mais por hobby do que como profissão. O fato foi que o bar – que se chamava Jungle – bombou a ponto de ir naturalmente me afastando do cinema. Isso foi na Vila Madalena, em São Paulo, no longínquo ano de 1991. A partir daí veio uma sequência: o Jungle Bar ficou maior e mais estruturado a partir de 1994, o Brancaleone surgiu em 96, e o Grazie a Dio em 1999. Ao fim desse ano, a minha esposa (a carioca Zazá Piereck) e eu decidimos nos mudar para o Rio. Naturalmente a minha vocação para criar lugares já havia sido aprovada em SP, mas o Rio seria uma experiência totalmente diferente. Era uma outra cidade e uma outra cultura. No mesmo ano de 1999 abri o Zazá Bistro em Ipanema. O sucesso, instantâneo, me deu confiança para seguir empreendendo na cidade. Por isso, ano seguinte, inaugurei o 00. Depois veio a Cerveja Devassa em 2002 e a Vezpa em 2009.

[ R2L ] O 00 tem um conceito contemporâneo, chique. A Devassa é informal, a cara do Rio. A Vezpa é cosmopolita. Como você cria e desenvolve os seus conceitos?
Crio lugares onde eu, particularmente, gostaria de ir. Foi sempre isso que norteou o desenvolvimento dos meus projetos.

[ R2L ] O verdadeiro empreendedor nunca sossega. Qual o próximo passo?
O próximo será a Camolese, um espaço múltiplo com restaurante de cozinha latino-mediterrânea, bar com alta coquetelaria, cerveja própria artesanal (produzida na casa!), deli e clube de jazz no subsolo.

Com a esposa Zazá e a filha Flora

[ R2L ] Sabemos que o Rio ainda tem muito a melhorar quando se trata de ambiente de negócios. Mas essas dificuldades não parecem ter desestimulado você…
O desejo de criar, desenvolver as ideias, conceitos, produtos… enfim… empreender e colocar de pé um negócio funcionando bem é uma força da natureza difícil de deter. Eu seria profundamente infeliz se não realizasse coisas, que podem ser negócios, mas pode ser música, drinks ou pratos. O Brasil em geral e o Rio, em especial, são lugares hostis ao pequeno empreendedor. Isso é fato. Mas vejam a quantidade de empreendedores que temos no país. Se a legislação os tivesse em mais alta conta, reservando a devida importância a essa grande e extraordinária comunidade, o futuro do Brasil estaria salvo. Mas não é isso que acontece. O que vemos é uma burocracia anacrônica, paquidérmica, irritante, desestimulante e muitas vezes corrupta. Em época de crise, como a que vivemos, o governo deveria facilitar e agradecer aos heróis dispostos a investir e arriscar o seu dinheiro e o seu tempo em um negócio. Mas somos vistos pelos orgãos responsáveis como algo ou alguém a ser combatido. É essa a impressão que fica.

[ R2L ] Que conselho você daria a quem tem o empreendedorismo na veia e tem receio de se arriscar?
Arrisque! Já!

[ R2L ] O que é ser carioca?
Como bom paulistano diria que ser carioca é um estado de espirito em equilíbrio entre ‘os fazeres e os curtires’. A cidade proporciona essa possibilidade.

[ R2L ] Que tipo de cidade gostaria que os seus filhos tenham daqui a alguns anos?
20% menos quente e 200% mais segura. O primeiro desejo é impossível, mas o segundo podemos conseguir com mais empreendedorismo e educação, principalmente (mas não exclusivamente) nas comunidades. Que a cultura empreendedora seja definitivamente compreendida, absorvida e valorizada por todos. Com isso reduziremos a desigualdade e criaremos mais oportunidades para todos. O brasileiro é um empreendedor por natureza. Falta entendimento e estímulo. A mentalidade e a chama empreendedora deveriam ser ensinadas às crianças desde o ensino fundamental até o médio. Teríamos um outro Brasil!

[ Bio ]
Cello Macedo Camolese é paulistano, empreendedor, empresário do ramo de alimentos, bebidas e entretenimento, músico, cozinheiro, viajante, corredor e “homem familia”.

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