ECONOMIA
COLABORATIVA
[ EDUARDO SHOR ]

Compartilhe seus bens, suas ideias, sua força de trabalho.
Seja bem-vindo ao novo capitalismo.

Sempre que bater aquela sensação de que o mundo não tem jeito, a humanidade falhou, a crise chegou para ficar e vamos terminar os dias como os dinossauros, lembre-se de um conceito que vem se popularizando cada vez mais e promete dar uma mãozinha para o nosso futuro: a economia colaborativa.

Nesse modelo, compartilhar é muito mais do que um botão divertido numa rede social. Bikes, automóveis, escritórios, casas, livros, roupas, informações e até o tempo das pessoas. Tudo o que você estava acostumado a ter e às vezes até esquecer que tinha pode ser dividido – e em alguns casos ainda render um dinheiro extra.

Todos os envolvidos se beneficiam. Ao compartilhar, o consumidor pode comprar menos, reduzir impactos no meio ambiente, desperdício e permitir que a indústria se organize de outra forma, usando recursos naturais e horas de modo mais inteligente. Se a intenção é fazer o planeta sobreviver, colaborar pode ser um caminho para preservar o bem-estar na Terra.

O Blablacar nasceu na França e tem operação no Brasil. A ideia é que numa viagem as pessoas com espaço sobrando no carro ofereçam carona a outras. O percurso Rio-São Paulo tem saído a partir de R$ 60 por passageiro, bem mais barato que a maior parte das passagens de ônibus e avião. Sem contar que a carona ajuda a tirar automóveis da estrada, significando menos poluição e engarrafamento.

Na economia colaborativa, é possível exercitar a formação de redes, ou comunidades. Quanto maior a rede, maior a riqueza de perfis, ideias e possibilidades de desenvolvimento. Juntas as pessoas pensam melhor, realizam conexões, conhecem parceiros e têm mais forças para levar projetos adiante. Não precisam formar um grupo político, nem uma ONG. Basta terem objetivos comuns e uma necessidade muito grande de resolver um problema da cidade, do bairro, da rua ou de sua própria casa.

No aplicativo brasileiro Good People, o usuário informa os talentos que tem e conhece as habilidades de seus pares. Se alguém precisar de ajuda para levar determinado projeto adiante, é só procurar o perfil desejado no sistema. Uma plataforma que agiliza encontros e contribui para tirar as ideias da gaveta.

O Wall Street Journal estima que em 2015 tenham sido criados 60 mil empregos colaborativos nos EUA e que o setor tenha atraído US$ 15 bilhões em financiamentos. A revista Time já considerou o modelo como uma das dez ideias que vão mudar o mundo nos próximos anos.

O Rio de Janeiro demonstra potencial para mergulhar na era da colaboração. Quando o assunto é AirBNB, o famoso site onde você aluga apartamentos ou compartilha os quartos do seu lar doce lar, a cidade perde apenas para Nova York e Paris. Os cariocas disponibilizam mais de 20 mil propriedades, que servem de complemento à capacidade hoteleira, como ocorreu na Copa do Mundo em 2014 e poderá se repetir nas Olimpíadas deste ano.

Passando de casa para o escritório, o coworking, em que empresas dividem o mesmo teto e favorecem a troca de ideias e serviços, já ganhou as principais regiões do país. No Rio, porém, mais do que isso existe um polo colaborativo. Em vez de ocupar o andar de um prédio comercial, a Vila do Largo reúne 36 casas em uma área charmosa e bucólica no Largo do Machado. Como o próprio nome diz, assemelha-se a uma vila e proporciona uma convivência criativa, com coworking, arte, cultura, moda, música, empreendedorismo e gastronomia.

A culinária, aliás, é o mote do House of Food, em Botafogo, onde o fogão é um dos pontos mais democráticos. Quem desejar, paga pelo uso e assume o comando das panelas, preparando suas receitas para vender aos frequentadores. Ótimo para chefs que querem testar a receptividade de seus pratos, antes de abrir um endereço de venda fixo.

Em uma cidade que transborda belezas naturais e tem sempre um cantinho especial, há opções de turismo que fogem ao circuito dos cartões postais. A plataforma Mais Asas é colaborativa. Qualquer pessoa que desenvolva uma atividade com potencial de atrair os visitantes pode sugerir uma programação. Há desde passeios de stand-up paddle oferecidos por surfistas a roteiros personalizados para a compra de roupas e acessórios, propostos por uma cool hunter ligada a moda.

Um dos mais tradicionais clubes de futebol da cidade costuma convocar sua torcida mesmo quando não tem jogo. E ela comparece. Por meio de financiamento coletivo, conhecido em inglês como crowdfunding, o Fluminense já viabilizou livros sobre sua história centenária, homenagem a ídolos que marcaram época, bem como festas e shows para os tricolores. Somado ao apoio do torcedor, considerando patrocínio e investimento de parceiros, venda de publicações e royalties envolvidos, os projetos já geraram mais de R$ 1,5 milhão.

Nem os animais de estimação escapam da economia colaborativa. O site Adorável Criatura, idealizado por quatro cariocas, põe em contato donos dos pets, veterinários e diversos fornecedores do setor. A vantagem é que em um espaço exclusivo para o tema as pessoas trocam experiências e recomendam serviços, garantindo maior segurança e qualidade.

Ganhe colaborando na economia criativa

Conheça outros nomes que movimentam a cena colaborativa no Rio:

Goma: associação interdisciplinar que busca fomentar as economias criativa e colaborativa, por meio do empreendedorismo em rede e negócios de impacto social.  

http://goma.org.br/

Rio Criativo: centro de inovação que estimula o fortalecimento e a sustentabilidade dos empreendimentos da economia criativa do Rio. No ano passado, organizou um encontro na primeira semana de economia colaborativa da cidade.

http://riocriativo.com/

Benfeitoria: plataforma de mobilização de recursos para projetos de impacto cultural, social, econômico e ambiental. Mantém projetos como o Rio+, de soluções inovadoras para a cidade.

https://benfeitoria.com/

Com informações dos sites Projeto Draft e Consumo Colaborativo

Eduardo Shor é jornalista e escritor, especializado em produção de conteúdo e comunicação institucional. Já publicou livros, escreveu para o Portal Terra e para a revista Página 22, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
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